sábado, 9 de novembro de 2013

Estou aprendendo !!!

A Arte de Ser Avó Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo... Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha
descoberto - mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda. E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração. Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto... No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar. Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna... Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto! E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno. E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade... Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague... (O brasileiro perplexo, 1964.) Rachel de Queiroz

segunda-feira, 3 de junho de 2013




LIBERTAÇÃO DO PASSADO

Uma mulher foi visitar o seu pai, que era um yogue conhecido e muito respeitado na região sul da Índia antiga. Assim que os dois se encontraram, moça disse:

- Pai, sempre observo como você é respeitado pelas pessoas. Queria ter toda essa tranquilidade que você tem. Como faço para conseguir paz em minha vida?

O pai olhou sua filha, ficou feliz pela pergunta e disse:

- Filha, deixe isso de lado um pouco. A paz é algo ainda distante. Comece, por enquanto, jogando fora algumas coisas em sua casa que você não precisa e que não te trazem boas lembranças.

A filha ficou visivelmente contrariada. Não entendia a atitude do pai. Sendo um homem tão sábio, por que dava orientações a todos, mas se negava a ensinar sua própria filha?

A moça retornou ao seu lar e sentiu que, realmente, seria um bom momento de se desfazer de alguns pertences que já não utilizava. Estava mesmo sentindo que sua casa precisava esvaziar-se de algumas tralhas.

Primeiro de tudo, resolveu localizar os objetos dos quais não mais necessitava. Pegou antigos presentes usados, roupas velhas, sapatos furados, bijuterias e até algumas cartas de antigos namorados. Conforme ia pegando nas roupas rasgadas, surgiam lembranças dos momentos em que as usou. As cenas iam cruzando sua mente com todas as recordações. Conseguia sentir a emoção dos momentos bons e ruins de quando as usou. Levantou bastante poeira movimentando tudo, tirando do lugar e se jogando fora. Alguns objetos traziam lembranças sentimentais, como o chapéu dado pela sua avó já falecida. Hesitou em joga-lo fora, por ter sido um presente de sua avó, mas como já estava muito velho, resolveu atira-lo no lixo. Não foi nada fácil desapegar-se de certos pertences, em especial aqueles que lembravam momentos bons e ruins. Cada utensílio era localizado, trazia recordações, com cenas, sentimentos e experiências. Parecia regressar no tempo e sentir diversas fases de sua vida como se elas estivessem ocorrendo agora. Pegou também presentes de ex-namorados. Um desses homens ela ainda guardava um sentimento por ele e também um certo apego. Demorou algumas horas, mas a moça pôde revisitar muitas fases diferentes de sua vida, senti-las, chorar, observar o que pensava e como via o mundo em diversas épocas, e finalmente jogar tudo fora.

Após toda essa experiência com seu passado, estava se sentindo diferente. Sentiu-se mais tranquila, mais leve e mais livre de tudo. Estava menos carregada e sentia, pela primeira vez em muitos anos, uma paz que a preenchia por inteiro.

Alguns dias depois, foi novamente visitar seu pai e contou todo o ocorrido. Disse que estava se sentindo bem melhor após ter arrumado a casa e jogado alguns pertences antigos fora. O pai virou-se para ela e disse:

- Filha, quando você me perguntou como fazia para conseguir paz em sua vida, eu te dei a resposta, e você iniciou esse processo. Desfazendo-se de alguns objetos do passado, você pôde seguir os sete passos da libertação da prisão do passado.

- Eu segui? - Perguntou a filha surpresa. – Mas que passos são estes?

O pai respondeu:

- O primeiro passo é agir para resolver um problema. No caso, você sentia a intranquilidade, e começou a buscar uma solução para isso. Esse é o primeiro passo. A ação que procura solucionar um sintoma ou problema e entender que precisamos nos libertar disso. Essa é a fase do início da busca.

O segundo passo é localizar a fonte do problema. Em sua casa, você procurou os objetos que teria que jogar fora. Isso equivale, no plano emocional, a buscar o local exato da origem do problema. Onde, por exemplo, começou a minha angústia, a ansiedade, a tristeza, a dor, a doença, etc. Essa é a fase da localização.

O terceiro passo é rever o problema e senti-lo intensamente, experimenta-lo novamente como se ele estivesse ocorrendo agora. Cada pertence que você encontrou, vieram lembranças muito emocionais, você recordou cenas e acontecimentos, sentiu a emoção deste tempo passado e colocou para fora os últimos resquícios desses sentimentos arraigados. Ninguém se liberta de alguma situação não resolvida ou de alguma experiência mal digerida do passado se não entra em contato com seu núcleo e a sente novamente. Essa é a oportunidade de liberar toda a carga retida. Essa é a fase da experiência e do esgotamento das emoções acumuladas.

O quarto passo é desapegar-se daquilo. Algumas pessoas relembram o passado, o sentem, mas como ainda continuam apegadas a ele, dando alguma espécie de valor ao objeto de apego, elas permanecem presas. O desapego corresponde ao ato de jogar fora aquele objeto. No momento que você o jogou fora, você consolidou que não precisava mais daquilo e se desfez do que te prendia. No plano interior, o desapego não é exatamente uma ação, mas uma escolha. Essa é a fase do desapego.

O quinto passo é perdoar qualquer mal ou prejuízo que o passado tenha nos causado. Isso implica no perdão de maus tratos, ofensas, agressões, frustrações, etc. Quando você pegou as cartas de ex-namorados, você já estava tranquila interiormente e pôde perdoa-los de qualquer mal que tenham feito a você. Se não tivesse perdoado, ainda estaria apegada a eles de alguma forma. É importante perdoar o algoz, mas também perdoar a nós mesmos por termos errado. O perdão dos próprios erros é fundamental, e aqui cabe lembrar que somos todos imperfeitos e estamos sempre sujeitos a erros. Da mesma forma que erraram conosco, nós também erramos com muitos outros. Por isso, é importante o perdão e o autoperdão. Essa é a fase do perdão.

O sexto passo é fazer uma revisão do passado e tentar entender porque tivemos que experimentar aquilo. Qual o motivo daquele sofrimento, daquela dor, daquela doença, ou de qualquer mal que nos acometeu. Que responsabilidade tivemos em sua produção? Após rever nossa responsabilidade nisso, é importante arrepender-se de qualquer mal feito e também pedir perdão a nós mesmos. Rever o passado nos ajuda a chegar ao sétimo e último passo.

O sétimo passo é o aprendizado final. Toda experiência deve ser transformada em aprendizado. Ela deve trazer um significado para nós, e isso deve servir para evitar erros futuros. O aprendizado é a libertação final do passado, pois ele evita que os erros do passado sejam reeditados em novas formas no futuro. Lembrando sempre que os erros passados que não foram aprendidos podem ser repetidos num futuro próximo ou distante. Portanto, o aprendizado é fundamental, e é o último passo para a libertação do passado e para o encontro com a paz.

Texto de Hugo Lapa

Fonte: Espiritualidade para Todos

quinta-feira, 7 de março de 2013

TRANSFORMAÇÃO




Acordei disposta a mudar!
Estava decidido: seria uma nova pessoa!
Passaria a sorrir mais, a valorizar a vida, a reconhecer as minhas conquistas, a distribuir amor por onde passasse.
Sairia do vermelho, deixaria de comprar tantas coisas supérfluas, seria mais caridosa, julgaria menos e ouviria mais.
Reconheceria minhas fraquezas e assumiria meus erros.
Passaria a acreditar mais em meu potencial.
Não deixaria que um simples comentário destruísse meus sonhos.
Iria lutar pelos meus ideais.
Enfrentaria todos os meus fantasmas.
Iria praticar a solidariedade com quem estivesse ao meu lado.
Valorizaria mais a minha família, conversando mais com meus pais, beijando meus irmãos e brincando com meus filhos.
Não permitiria que meu trabalho tirasse o meu humor.
Impediria que as energias negativas me envolvessem.
Deixaria o pessimismo e o desânimo trancados na gaveta.
Iria contemplar o pôr do sol.
Aprenderia a andar de bicicleta.
Sentiria o perfume das flores.
Permitiria banhar a alma com as águas do mar.
Dançaria na chuva e me secaria ao sol.
Cicatrizaria todas as feridas e esqueceria as mágoas.
Perdoaria as ofensas recebidas.
Abandonaria o papel de vítima e pararia de brigar com o mundo.
Deixaria de me envolver com as pessoas erradas e abandonaria todas as minhas carências.
Tiraria de uma vez por toda da minha vida as pessoas que me colocam pra baixo.
Não daria ouvidos aos invejosos.
Iria tomar coragem e enfrentar o desconhecido.
Perderia a vergonha e ousaria.
Deixaria de lado a perfeição e apenas tentaria.
Abandonaria o desejo de sempre ser reconhecida e passaria a confiar em mim.
Investiria em meu talento.
Amaria quantas vezes fosse possível.
Enterraria o passado e me daria a vida de presente.
Chegaria ao céu e cumprimentaria os anjos.
Faria novos amigos e conservaria apenas as amizades verdadeiras.
Mudaria o curso do rio e não temeria as correntezas.
Secaria as lágrimas e retocaria o batom.
Aumentaria a fé e não teria receio de falar em Deus.
Levaria a esperança a quem precisa apenas de uma palavra.
Tentaria me preocupar mais com quem está ao meu redor.
Largaria as muletas e andaria com as próprias pernas.
Esqueceria a culpa e o remorso em algum canto e seguiria o caminho.
Não teria vergonha de dançar mesmo sem saber o ritmo.
Não deixaria que as fofocas e intrigas fizessem parte do meu cotidiano.
Não guardaria o rancor no coração e deixaria de querer sempre ter razão, passando a compreender mais.
Deixaria de ser tão rude e racional, passando a semear o amor.
Daria mais abraços e não apenas ficaria a exigir afeto.
Viveria o momento e não ficaria tão agoniada com o futuro.
Não perderia tanto tempo, iria viver!
....
Pena que tudo isso ficou apenas na vontade.
Depois de levantar, lá estava eu repetindo os mesmos gestos e perdida nos pensamentos de sempre.
Achava-me cansada demais para mudar...
Ah, deixa pra manhã...
....
Realmente, quantos de nós não pensamos assim e vivemos uma existência inteira vendo a vida passar?
Almejamos por transformações, mas nos esquecemos que elas não ocorrem sozinhas.
Elas só ocorrem quando estamos internamente preparados.
E essa preparação interna se dá passo a passo, um dia após o outro.
O início é sempre difícil, mas o resultado não é impossível.
Temos a tendência a achar que nunca conseguiremos.
Amarrar os sapatos?
Aprender as primeiras letras?
Tabuada?
Dirigir? Beijar? Primeiro Emprego? Faculdade?
Ai, meu Deus!!!!!
E depois percebemos que conseguimos vencer tudo isso.
Que só o primeiro instante foi complicado, mas que depois temos um “jeitinho”
Por isso, se realmente quisermos, podemos transformar nossa vida.
Aos poucos, mas poderemos sim.
Lógico que nem tudo será transformado.
Mas passaremos a conhecer o nosso íntimo e assim saberemos o que pode ou não ser mudado.
Iremos perceber que esse trabalho só cabe a nós.
Que as ferramentas não estão do lado de fora.
Que a tarefa não cabe à nossa família, aos nossos melhores amigos, aos nossos amores e companheiros.
Não, é um trabalho solitário.
Ah, mas essa solidão compensa!!!
Iremos nos surpreender com tanta coisa maravilhosa que estava escondida.
E as coisas sujas também irão aparecer. Só assim poderemos limpá-las.
Sentiremos medo, mas se resistirmos à tentação de pararmos, iremos conhecer um horizonte jamais imaginado.
Promessa? Ilusão?
Não, a luz existe.
E está dentro de cada um.
O sábio que tanto buscamos ouvir habita o nosso coração.
A ajuda que almejamos está em nossas mãos.
O companheiro de viagem que rogamos, pode ser encontrado na frente do espelho.
A fé e a coragem já existem dentro de nós.
Basta arregaçarmos a manga e iniciarmos a grande viagem.
Pode ser que ela seja longa....
Mas temos a eternidade!
Então, que tal começarmos agora?


Sônia Carvalho

quarta-feira, 6 de março de 2013

Nadar contra a Corrente !


Quando a palavra é desistir até as mais lindas e formosas rosas choram.
Desistir significa reconhecer abertamente a derrota, o erro, o passo mal escolhido e enfrentar a própria imagem diante do espelho sem sentir dó de si mesmo, e se perguntar onde encontrar a força e coragem para encarar o mundo.
Já que não somos sós, que reconhecidamente não somos uma ilha e menos ainda deserta, toda decisão que tomamos influencia nosso meio, muda vidas, gera opiniões. Coisas que nos alegram podem fazer sofrer ou alegrar outras pessoas, coisas que nos deixam tristes trazem em torno de nós um clima sombrio e o sentimento de impotência naqueles que nos amam.
Então, desistir não é uma fácil decisão e se muitos o fazem sem grandes resistências, outros lutam interiormente até que as próprias forças, elas mesmas, estejam fatigadas. O processo é geralmente longo e tudo é pesado e pego em consideração: a imagem-própria, o olhar dos outros, o exemplo para aqueles que esperam de nós bem mais que pessoas que não conseguiram ir adiante.
Nos sabemos humanos, mas preferíamos que certas palavras não constassem no nosso dicionário.
Mas não adianta dar voltas para no fim chegar ao mesmo lugar.
É sabido que toda decisão comporta riscos. Nós é quem preferimos ignorar os eventuais danos. Só que isso faz parte da história de todo homem.
Ninguém precisa se sentir diminuído porque errou numa decisão ou porque bate a cabeça e continua a fazer algo que ele sabe que não chegará a nada a não ser perda de tempo e desgaste.
Nadar contra a corrente é extremamente desgastante e inútil.
A vida nos ensina que ter maturidade é aprender a olhar as outras pessoas nos olhos se nos sentimos fortes ou se nos reconhecemos frágeis e guardar a cabeça erguida o que quer que aconteça.
Desistir de um caminho, um sonho, uma decisão não quer dizer baixar os braços e esperar que a vida aconteça. Não!!!
Desistir de um caminho significa que nos enganamos de endereço e que vamos procurar o bom, que vamos tormar outra direção, com aquilo que possa preencher nossas buscas, completar nosso coração.
Se devemos alguma coisa a alguém não são satisfações do que fazemos ou deixamos de fazer, mas a felicidade que podemos espalhar à nossa volta.
Se devemos alguma coisa a nós mesmos é o respeito pelo nosso eu e isso inclui o saber onde parar e onde continuar, quando voltar atrás se possível e preciso e quando recomeçar um novo caminho.
Deus não quer pessoas infelizes e insatisfeitas, mas alegres e seguras de si, que sabem o que querem e escolhem conscientemente os seus passos. Que voltam atrás se necessário e recomeçam como se a dor não dilacerasse tanto o peito.
Ele as acolhe em Seus braços quando as mais cruéis dúvidas aparecem, as reconfortam e as asseguram que elas fazem parte de um todo e que de toda planta podada nasce um belo renovo.

Letícia Thompson
FILHOS SÃO COMO NAVIOS

Ao olharmos um navio no porto, imaginamos que ele esteja em seu lugar mais seguro, protegido por uma forte âncora.

Mal sabemos que ali está em preparação, abastecimento e provisão para se lançar ao mar, ao destino para o qual foi criado, indo ao encontro das próprias aventuras e riscos.

Dependendo do que a força da natureza lhes reserva, poderá ter que desviar da rota, traçar outros caminhos ou procurar outros portos.

Certamente retornará fortalecido pelo aprendizado adquirido, mais enriquecido pelas diferentes culturas percorridas.
E haverá muita gente no porto,
feliz à sua espera.

Assim são os FILHOS.
Estes têm nos PAIS o seu porto seguro até que se tornem independentes.
Por mais segurança, sentimentos de preservação e de manutenção que possam sentir junto aos seus pais, eles nasceram para singrar os mares da vida, correr seus próprios riscos e viver suas próprias aventuras.

Certo que levarão consigo os exemplos dos pais, o que eles aprenderam e os conhecimentos da escola, mas a principal provisão, além das materiais, estará no interior de cada um:
A CAPACIDADE DE SER FELIZ.
Sabemos, no entanto, que não existe felicidade pronta, algo que se guarda num esconderijo para ser doada, transmitida a alguém.

O lugar mais seguro que o navio pode estar é o porto. Mas ele não foi feito para permanecer ali.

Os pais também pensam que sejam o porto seguro dos filhos, mas não podem se esquecer do dever de prepará-los para navegar mar a dentro e encontrar o seu próprio lugar, onde se sintam seguros, certos de que deverão ser, em outro tempo, este porto para outros seres.

Ninguém pode traçar o destino dos filhos, mas deve estar consciente de que na bagagem devem levar VALORES herdados como:
HUMILDADE, HUMANIDADE,HONESTIDADE, DISCIPLINA, GRATIDÃO E GENEROSIDADE.

Filhos nascem dos pais, mas devem se tornar CIDADÃOS DO MUNDO. Os pais podem querer o sorriso dos filhos, mas não podem sorrir por eles. Podem desejar e contribuir para a felicidade dos filhos, mas não podem ser felizes por eles.

A FELICIDADE CONSISTE EM TER UM IDEAL A BUSCAR E TER A CERTEZA DE ESTAR DANDO PASSOS FIRMES NO CAMINHO DA BUSCA.

Os pais não devem seguir os passos dos filhos e nem devem estes descansar no que os pais conquistaram.

Devem os filhos seguir de onde os pais chegaram, de seu porto, e, como os navios, partirem para as próprias conquistas e aventuras.
Mas, para isso, precisam ser preparados e amados, na certeza de que:
“QUEM AMA EDUCA”.

“COMO É DIFÍCIL SOLTAR AS AMARRAS”

(Autoria: Içami Tiba)
CARTA DE ABRAHAM LINCOLN PARA O PROFESSOR DE SEU FILHO.


"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.

Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.

Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. 

♦Carlos Drummond de Andrade♦